segunda-feira, 12 de abril de 2010

Eu só tenho que fazer poesia, com um palito de picolé na rua...


É mais do que um conto sobre um palito de picolé...é um requerimento de sanidade e paz, para ajustar cada palavra, para revelar cada sentimento, para ludibriar cada idéia comum, fazendo- a acreditar em sua divindade contraditória, e soar levemente como poesia. É quase catastrófico, é um sacrilégio fazê-los acreditar na eloquência da fantasia. A retórica é incoerente, sei que não devo aceitar, mais do que relatar, devo convencer, afogar suas crenças num mundo meu, tão distante do eu. Devo tira-los da realidade e mostrar uma verdade que insiste em não existir. Devo fazer as palavras se perderem na lógica, e provar a veracidade de uma obviedade contundente, que eu nem entendo porque não conseguem ver. Vai alem da minha verdade mostrar-lhes isso, só preciso ter paciência, para aceitar bem as acusações por nitidamente insana e ser profanada com o mais potente vocabulário psíquico. Não posso aceitar, apesar de saber que a poesia não é nada pouco além da loucura e não há nada de mais sobre escrever, por exemplo sobre um palito de picolé na rua.

Isis Laurent
12/04/2010

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